P,10-TopoEle é o Professor, Rimador, Produtor, Dramaturgo mais malandro do Brasil.
O artista que uniu a malandragem da rua com a literatura, teatro, dança e hip hop em seu trabalho.

Ele é o carioca P,10, rapper que iniciou sua carreira artística em março de 2002, quando gravou suas primeiras músicas, dentre elas, Ambulante Hospitalizado, indicado ao prêmio Hutuz do mesmo ano na categoria melhor demo.
Seu nome (Pevirguladez / P,10), vem de um misto entre uma notícia de jornal, um poema de Drummond (No Meio do Caminho), e a nota máxima que um aluno pode tirar em uma escola.

Em 2004, Pevirguladez se tornou um dos principais produtores independentes do Rio de Janeiro. Criou a Canela Fina Produções, e em seguida o evento Ressaca Hip Hop, referência na Baixada Fluminense e no Rio de Janeiro, com 6 anos de existência.

Hoje, P,10 trabalha no seu primeiro disco solo, intitulado Manual Prático de Malandragem e a montagem da peça teatral Di MALANDRO-A Ópera Rap da Malandragem, o primeiro musical escrito, dirigido e produzido por um rapper no Brasil.

O artista foi indicado ao Prêmio Hútuz de 2009, concorrendo como um dos melhores artistas de Hip Hop nos últimos dez anos. P,10 e Grupo Urbanos – Um Q de Malandragem.

E o Radar Urbano, conversou com o rapper, que não promete lançar o melhor disco de rap brasileiro de todos os tempos, mas garante que será o disco de rap mais malandro de todos os tempos.

Muito respeito e admiração ao parceiro P,10, que tem muita idéia pra trocar.

Segue…

Radar Urbano – Salve P,10, prazer em falar contigo. O Radar Urbano e o HipHop agradece…
P,10 – Eu que tenho um enorme prazer em falar para este veículo de divulgação do Hip Hop brasileiro…

Radar Urbano – P,10, conte um pouco, pra quem ainda não te conhece, como foi a sua caminhada no rap até aqui!!!
P,10 – Bom, o P,10 surgiu no Hip Hop em 2002, sendo logo de cara na sua terceira gravação de estúdio indicado no mesmo ano como melhor demo do Hútuz. Mas isso não o fez querer se tornar um artista de rap, lançando disco ou coisa parecida, tanto que se envolve com a difusão da cultura nos anos seguintes, deixando em segundo plano a música para se tornar um dos mais atuantes divulgadores do Hip hop carioca, realizando entrevistas para a revista Rap Brasil, Da Rua e realizando o Ressaca Hip Hop, que se tornou um dos maiores eventos de Hip Hop do Rio de Janeiro.
Passado esse período, no qual o crescimento do hip hop se tornou  notório no Rio de Janeiro e vendo que havia muita música e grupos sem coerência e responsabilidade dentro da cena, decide voltar ao cenário musical com um trabalho que talvez seja um dos mais inovadores dentro do rap, que é o tal do Hip Hop Malandro, um estilo que resgata a linguagem do subúrbio carioca, dos malandros de antigamente, e acrescenta a isso vertentes de literatura, teatro e dança, o que se torna mais nítido no seu mais recente trabalho, que é o primeiro musical rap escrito e produzido por um, Di Malandro, A Ópera Rap da Malandragem, que conta a história da malandragem através da música rap.
Esse é o P,10 atual, dramaturgo, produtor e rapper também, que trabalha no lançamento de seu primiero disco solo em 10/10/2010, e se chamará Maunal Prático de Malandragem.

P10-3Radar Urbano – A Ópera Rap da Malandragem… nos detalhe um pouco mais sobre esse projeto…
P,10 – A Ópera Rap da Malandragem está em fase de desenvolvimento. Houve uma pré-estreia em 28 e 29 de Novembro de 2009 no Teatro Raul Cortez, D. Caxias. Faremos mais três pré-estreias na Zona Norte, Oeste e Sul do Rio de Janeiro a partir de abril para dar uma melhor formatação ao musical, pois a intenção é realizar em novembro/dezembro deste ano a estreia na Lapa. Depois disso é realizar temporadas em outros estados. Essa ideia do musical surgiu após uma apresentação de um grupo de dança (Grupo Urbanos) no evento chamado Samba de Tênis, na qual eles utilizaram de um canção minha para dançar, além de terem dentro da sua performance o próprio cantor ao vivo interagindo com eles e com o público. A ovação que tivemos do público me veio o insight, escrevi o texto em Maio, em Junho/Julho realizei seleção do elenco e dançarinos e em Novembro nos apresentamos. Ao todo sete meses de trabalho para montar um espetáculo com dez canções, cinco coreografias divididos em três atos para contar a história de Orfeu, poeta, músico e compositor, que lida com inumeras situações que testam Seu modo de encarar as adversidades e de se safar dos inúmeros percalços que lhe são impostos, refletindo uma incessante busca de conceituar a malandragem como algo muito distante da trairagem, da pilantragem, enfim, de tudo o que já foi pregado negativamente pela sociedade.

Radar Urbano – E o Manual Prático de Malandragem, seu primeiro álbum solo. O que vem por aí? Participações, produções, data de lançamento?
P,10 – Então, o Manual está em fase de gravação, acredito que seja um disco importante para a discografia do rap brasileiro, pois trará uma marca própria e digo isso não pensando que será o melhor disco de rap brasileiro de todos os tempos, mas garantindo que será o disco de rap mais malandro de todos os tempos, pois eu busco e pesquiso o tema faz 7 anos, desde antes de me tornar professor. A data de lançamento é 10/10/2010, o disco terá 10 faixas, com produções de BeatBassHighTech, Mr. Break, Odilon e terá algumas participações como Slow Da bf, Velha Guarda da Grande Rio, Wantuir (intérprete da Grande Rio) e outros nomes que ainda não posso citar do mundo do samba carioca.
E a minha intenção é fazer um disco de rap popular, no qual quem ouça, tenha a sensação de estar ouvindo Bezerra da Silva, Noel Rosa, João Nogueira, Vinicius de Morais, Cartola, Zé  Ketti, Moreira da Silva, enfim, um disco para quem admira música de qualidade e com essência.

P10-2Radar Urbano – A promessa, é de que seja lançado algo como nunca visto antes no Rap Brasileiro. Na sua visão, O Rap popular, busca conquistar quais terrenos?
P,10 – Cara, esse negócio de conquistar é meio complicado, mas eu vejo o rap atual, que tenta ser pop – o que pra mim é diferente de popular – se tornando um produto do meio e não acrescentando em nada pra cena, seja em termos ideológicos ou mercadológicos. O rap dito social, politizado e de periferia hoje virou um braço do terceiro setor, servindo como mote para Ong’s se proliferarem e ganharem verbas.astronômicas em diversos editais pelo brasil afora, e se formos observar direitinho, percebemos que não estamos nem na TV, nem na rádio, muito menos na boca do povo, quer coisa pior do que isso? Logo, vejo que é fundamental trabalhar esse conceito de fazer um som que atinja o camelô, o trocador de ônibus, o lixeiro, o dono do boteco da esquina, a empregada doméstica, a manicure, o pedreiro, ou seja, a grande massa que faz a engenharia da sociedade brasileira existir, esse povo não está ouvindo rap, talvez, forró, funk, pagode, sertanejo, nada contra, mas é preciso que o rap também se insira de verdade como música de massa, não somente como música de periferia, excluído ou de presidiário. Precisamos ampliar mais isso, Porque a elite não compra essa ideia do rap brasileiro, ela aluga, utiliza como bem entende e depois joga fora. Tem gente que pensa que fazer festa pra boy, no meio da burguesia, com ingresso acima de 50 reais é que a solução para o rap nacional. Discordo. Pode até ajudar, mas não soluciona o problema. Esse público é pequeno, instável, segue uma tendência. Não tem fidelidade. Por isso, acredito que precisamos de referências, de artistas que interajam com outros seguimentos populares, senão estaremos fadados a se apresentar em casas para 200 pessoas com 70 pagantes e 80 amigos.

Radar Urbano – Posso estar enganado, mas é a primeira vez que vejo um rapper trilhar por esse caminho e com essa ideologia. Explica pra gente, de onde vem tanta inspiração pra essa caminhada ?
P,10 – Olha, talvez a minha formação ajude um pouco nisso. Conheci o rap com 13 anos de idade (28), fiz teatro aos 16, já gostava de escrever poesias e letras desde os 14, entrei pra faculdade letras assim que comecei a cantar para desenvolver melhor meus conhecimentos literários, produzi mais de 25 eventos de rap/hip hop – todos eles fracassos de bilheteria, com excelência de público – mesmo trazendo nomes como Mv Bill, B Negão, Kamau, etc… Acho q já poderia ter comprado uma casa com o que já gastei com o hip hop. Mas como não sou casado e não tenho filhos, bebo pouco e não gasto meu dim com extravagâncias, além de ter um emprego público, apesar de mal remunerado, acredito que ainda posso continuar nessa caminhada por muito tempo, sem desilusão ou frustração, que é o que mais acontece por aí.

P10-1Radar Urbano – O HipHop bate de frente com a política, e esse ano é ano de escolher o novo presidente da nação. O presidente Lula fez um bom governo? José Serra liderando as pesquisas. Dilma Rousseff à frente do PT. Qual sua opinião sobre o assunto?
P,10 – Não sei se o hip hop de hoje bate de frente com a política não. Alguns artistas sim, muitos não, outros nem estão aí pra isso ou não sabem o que é de fato. Vejo essa questão política tão perdida na sociedade como o hip hop brasileiro. Os propósitos foram dilacerados. Fico em dúvida com algumas músicas com viés político, será que estão querendo informar ou apenas fazer panfletagem, criando polêmica de forma sensacionalista como o programa do Datena ou do Wagner Montes.
O Lula, tá aí boa pergunta. Conversando com os mais periféricos da sociedade vejo que a impressão é a melhor possível. Nenhum outro presidente foi mais próximo da classe operária quanto o barbudo do PT. Porém, quando encontro alguns estudiosos bem resolvidos e ligados a movimentos sociais percebo que nós temos um presidente populista, que entregou muito dinheiro aos banqueiros a partir dos juros altíssimos empregados no seu governo, não resolveu algumas reformas importantes e teve os maiores escandâlos de corrupção que o Brasil teve conhecimento.
Isso poderia me deixar em dúvida, mas eu acredito que a mudança não pode partir de um, mas de muitos, o Lula teve acertos e erros, mas foi o presidente mais transparente  (até msm nos erros) que o Brasil já teve. Agora, a partir da dilaceração e dos escândalos do Pt, a Dilma me parece um nome sem força para ganhar a eleição, se fosse o Lula seria barbada. Não simpatizo com o Serra, prefiro o Ciro.
Mas acho que estamos no momento de mudança de poder, pois acaba se tornando muito ruim quando uma nação tem o mesmo governante durante muito tempo. Precisamos disso até em termos comparativo e de oxigenação de ideias e posturas, senão torna-se um sistema viciado. Agora o que mais me entristece na política brasileira é o fato de que a oposição não trabalha junto com o governo na construção do país, prefere criticar e prejudicar o máximo possível o governo da situação. E isso ocorre com o PT,PSDB, DEM, PMDB, P-SOL, enfim, uma mentalidade mesquinha e de interesses que prejudica nos fim das contas o cidadão brasileiro…

Radar Urbano – E o P,10 como um lider político como seria e qual seria a forma de governar?
P,10 – Não me vejo nessa condição, nem tenho interesses ou aspirações políticas, acho que nasci pra fazer arte, dar aula, produzir eventos culturais e disseminar ideias. O fato de eu ter um posicionamento político não me torna capacitado a exercer um cargo político. Penso que cada um de nós podemos fazer a nossa parte, na nossa comunidade, com os nossos amigos e familiares. Os brasileiros precisam, a política do dia a dia, do bom viver, do respeitar, antes da política de governo, existe essa política. os brasileiros precisam aprender essa política antes de tudo, amar o próximo, querer e fazer o bem sem desejar a quem.
Política também é competência adquirida. Boas idéias e vontade muitos tem, agora passar para a prática é que é o complicado…

Radar Urbano -Voltando ao hip hop,quem você  vê se destacando na cena?
P,10 – Emicida, Marechal, Flora Matos esses nomes são “pule de dez” de três entre cinco rappers brasileiros, mas tem alguns artistas se movimentando muito bem e que não estão no eixo Rio-SP como Rapadura, J3, Lica, Don L além do Dj Nino e seu irmão Jeff (os melhores Djs brasileiros atualmente na minha opinião) que são do Rio de Janeiro. Dentro do graffiti eu destaco o pessoal que organiza o Meeting Off favela, que é um evento que traz grafiteiros do Brasil inteiro, inclusive de fora, além do pessoal do Enraizados, que hoje faz um trabalho importante para o crescimento do Hip Hop na Baixada Fluminense.

Radar Urbano – Quais suas influências musicais e o que te inspira na hora de fazer um rap?
P,10 – Bezerra da Silva, João Nogueira, Jorge Ben jor, Vinicius de Morais, Chico Buarque, Sabotage, Cartola, Compay Segundo, D’Angelo, Marku Ribas, Moreira da Silva, Funk Como Le Gusta, Baden Powell, Nas, The Roots, Outkast, Pablo Neruda, Bertold Brecht, Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Nelson Rodrigues, Plínio Marcos, Gabriel O Pensador, Manuel Antônio de Almeida, Cláudio Camunguelo
Manuel Bandeira, Camões, Lauryn Hill, enfim, muita coisa… E na hora de compor depende muito. Tem vezes que caminhando na rua, observando as pessoas e as situações nasce uma ideia, começo a cantarolar uma rima, guardo e depois trabalho a estrofe com calma, como às vezes numa reunião pedagógica e monótona do colégio pego um pedaço de papel e relembro alguma ideia guardada e desenvolvo-a ali,  naquele momento. Como tem também as pré-determinadas, que são feitas sem inspiração nenhuma, aliás, trabalho quase sempre com 30, 40 por cento de inspiração e o restante com transpiração. É necessário estudar a ideia, ver o objetivo que voce quer com aquela letra, o porquê daquela frase, burilá-la, como se fosse um ourives diante de uma jóia. Música é inspiração mais é melhor quando acompanhada da transpiração.

Radar Urbano – Para finalizar deixe uma mensagem para quem acompanha o seu trabalho e quem lê essa entrevista agora.
P,10 – Bom galera do Radar Urbano, que acompanhou essa entrevista e que quer saber sobre o Pevirguladez, eu digo que ainda é só o começo, temos metas a alcançar em termos de trabalho. Acompanhem nossas ações, procurem, divulguem e participem na medida do possível, seja assistindo Di Malandro – A Ópera Rap da Malandragem, o projeto P,10 Convida que tá rolando em duas casas: O Bistrô Brasil (Caxias) e a Áudio Rebel (Botafogo) todo mês, ou mostrando e curtindo meus sons disponibilizados na internet, assim como essa entrevista. É isso.
O sucesso e o fracasso são iguais: os dois são impostores. “Seguindo a caminhada independente de conquistas, vivendo intensamente os momentos de minha vida” (P,10).

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Abaixo, vídeo da apresentação de P,10 com o Grupo Urbanos cantando “Um Q de Malandragem”.

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7 Responses »

  1. [...] CLIQUE AQUI E LEIA A ENTREVISTA COMPLETA !!! [...]

  2. Concordo plenamente o que falou sobre a cena pop, não ajuda em nada, só atrasa o lado.
    Rapper desse tipo o movimento não precisa.
    Abraço P10.

  3. mandou mto bem…ta faltando o rap pra massa, pra nóiz.

  4. Salve salve P,10, voce ea força que os rapper brasileiro precisao para poder realizar oque a de bom em nossas imaginaçoes !
    Show vamos diivulgar = ]

  5. Valeu as pelavras, boas ideias sempre vem de muita base de transpiração, seja na musica, seja na caminhada. Faça o Hip Hop grande com atos pequenos e diários. Abraços.

  6. esse eo p,10 sempre com essa lingua afiada
    e isso ai mesmo
    faço das suas palavras as minhas
    se não fosse o p,10 aaaaaaaaaaaaa se não fosse p,10000000000

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